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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O que vejo no Natal


Eu O vejo, 
mas não só neste dia.
Alguns não veem o aniversariante
Que na verdade não nasceu no dia comemorado
Mas tudo bem, que seja simbólica,
mesmo que pagã seja a data.
Vejo comércio, 
Vejo comércio,
Vejo comércio,
Vejo exageros,
Bebedeiras,
mortes e pancadaria.
Vejo o pecado da gula
Enquanto o outro nada tem
Para vestir ou comer
A não ser que um pouco de ar engula.
Acho uma falta de respeito
Mostrar tantas festas
Pelo espelho do mundo
E mesas fartas
Quando sabemos que
Em tantos lares
Nem mesmo toalha se tem.
O que sente um pai?
O que sente uma mãe?
O que sente a criança?
Será que este mundo é do bem?
Por certo pensa, há um outro mundo bem mais além.
Onde está o bom velhinho?
Criação comercial.
Está fazendo a fantasia de alguns
E a outros trazendo o mal.
E vejo também Ele olhando
E chorando pelas almas que Ele queria.
Bom Natal pagão em todo o planeta.
Mesmo que seja só fantasia.
Este mundo é mau, é mal
Esta civilização é ruim, é, não faz o bem.


ELIas, Dez de 2012

Fragmentos V


Se bem conheço as pessoas, elas se fecham, mas continuam românticas e sonhadoras. Admirando uma flor, uma mini cultura, e velhos cantores e ritmos de suas épocas.

Nunca critico alguém que sonha, porque talvez a única coisa que a mantém viva é a esperança. 
Sonhos são a forma de esperança que pode ser realizada. 
Os meus, que dependeram unicamente de Deus e eu foram e estão sendo realizados ( promessas Dele ), já os que dependem de outras pessoas Ele pôs sobre os ombros dos que não ouvem, não falam e não escutam. 
Enfim, se roubaram meus sonhos, sobre eles caíram os resultados daquilo que não pude fazer ou que obstruíram. 
Ele não interfere no livre arbítrio, mas quer respostas da tua alma, hoje ou no amanhã. 
Repensemos nossos atos, palavras, silencio e surdez. 
Sonhos roubados são cobrados.

Sou uma pessoa fácil de se ler. 
Mas não tente compreender sem que eu responda a sua pergunta. 
Nos caminhos por onde ando sempre há um motivo ou uma razão, pode até ser que seja um acostamento. 
Não sabe? Pergunte.

O futuro é a única coisa que me interessa, mas veja bem, não o espero sem planejamento.

Não quero ver a retrospectiva de 2012, quero viver a perspectiva de 2013.

Para decolar uma aeronave, e mais seguro os ventos contrários. 
Nos céus melhor são os ventos de cauda. Por que na vida seria diferente? 
Preste atenção no sentido, porque os que sopram na cabeceira sopram também na final.

Não seja eu o motivo da minha doença
Seja a vida o motivo da minha crença
Cofres guardam e escondem segredos
Se assim não fosse se abriria sem segredos
Abro a porta e exponho sem medos 
Porque senão o segredo cobra sem dó
E a doença leva para o pó.

"A vida começa no final da sua zona de conforto". 
Traduzido de uma publicação de Marcio Gonçalves e é uma realidade. 
Até na maior das desgraças alguns sentem conforto na inércia.

"Minha avó sempre dizia: 
Nós sempre nos lembramos mais das tristezas que das alegrias. 
Portanto procure ser feliz." 
frase dita no filme Damages. Tenho que concordar.

Pior que "sua piscina está cheia de ratos" é seu poço estar cheio de girinos.

“No semblante de um animal, que não fala, há um discurso que somente um espírito sábio realmente entende!”
Mahatma Gandi

ELIas, dezembro de 2012

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Elias de Assis Gois: A flor que não morreu

Elias de Assis Gois: A flor que não morreu: A flor que não morreu. As luzes já estão todas acesas, os carros passam. Que dor lacerante, que prazer apavorante. Tinha que ser  Ang...

Elias de Assis Gois: Um fardo, um parto, um quarto

Elias de Assis Gois: Um fardo, um parto, um quarto: Um fardo, um parto, um quarto Abri a porta e entrei. A sala é grande e várias pessoas trabalham nela. Mas já é noite. Ele está senta...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A Biruta biruta


O importante é a biruta estar sempre cheia.
Ney Matogrosso cantou que os ventos do norte não movem moinhos, mas pilam, isto ele esqueceu de cantar. Os místicos afirmam que o norte é escuro, é sombras. Os chineses afirmam que o vento traz doenças, tanto que a medicina tradicional chinesa dá nome de vento frio, vento quente, vento úmido, vento seco para algumas enfermidades. E o vento norte, escuro e sujo pela poeira e fragmentos imprestáveis ainda é pior.
Por que será que as mariposas voam na noite? As borboletas...
Mas a biruta estar sempre cheia é o que importa. O vento é novo e se renova. Ela aproveitou-se das correntes termais para nele flutuar. Fechou os olhos e viu seu corpo em pleno êxtase, não querendo ver que as termais já haviam formado uma película de cinzas em sua pele. E quanto mais pairava neste horizonte, mais grossa se tornava a película até que não fosse fácil remove-la.
A consciência é sábia. Avisa uma vez severamente, avisa na segunda vez já mais brandamente e na terceira vez informa apenas que está tristemente saindo para dar lugar ao livre arbítrio. Isola-se (a consciência) e permanece em um canto qualquer até o dia em que o livre arbítrio já farto de suas ações retira-se e então é a vez da consciência novamente se expor e cobrar, cobrar duramente o que não foi ouvido ou respeitado.
Ah! como é bom levitar dizia ela. E de olhos que não querem abrir, e tomada pela pífia sensação de bem estar, não quis observar que as termais eram formadas pelo abismo e o que a mantinha no ar era na verdade o calor emanado do fundo deste “poço-sem-fundo”.
E nas noites serenas atormentadas, escuras de lua cheia, como as mariposas vão, ela ia. Por vezes em dias ensolarados, enegrecia-os para também neles fazer seu feio voo.  Não pousava em flores, pousava em dejetos porque este é o lugar que buscava. E de dejetos em dejetos, mesmo a céu descoberto, pela noite encoberto pousava e alçava.
Que alegria odiosa, que prazer rancoroso. Um voo para o inferno.
Cordas foram lançadas do alto, mas ela não quis agarrar. Resvalava apenas e deixava que fossem recolhidas tantas vezes quantas foram as vezes em que foram lançadas.
Colocava sobre os ombros do mundo seu horrendo voo, mas a biruta cheia era o que interessava.  Entrou em estol e caindo sobre pedras pontiagudas machucou-se mais, mas mesmo assim alçou seu desengonçado e vergonhoso voo noturno como convém às mariposas.
A biruta cheia de poeira e detritos ao pilar deixou as marcas dolorosas. Tornou-se surda e muda, sente as dores, mas não quer o remédio. Quando o vento amaina, a velha biruta esvazia-se e então a saudade do vento de outrora renasce e a sensação de flutuar é desejada novamente.
Nunca aceitou navegadores para sua orientação, seu voo não tem registros e não pode ser publicado. Aceite ou morra este é o tema. Este é o bordão.
Isto foi uma narração.

ELIas, 28 de novembro de 2012